A minha ditadura é melhor que a sua

02/05/2018

Renato L. Pires

Diante dos fatos históricos e pelo bem da verdade, nos compete fazer alguns esclarecimentos e reflexões: o regime militar foi esse monstro que nos é apresentado pela grande mídia e por muitos professores de História?

Estima-se que o regime militar tenha matado 424 pessoas, jogando alto, contando os "desaparecidos". Isto em 21 anos de regime. Segundo as estatísticas, o trânsito no Brasil mata mais de 50 mil pessoas por ano. Outras 52 mil são vítimas de homicídios, e mais 50 mil estupros por ano. E esses números vêm aumentando ano a ano. O que o governo está fazendo no sentido de coibir essas mortes?

Vivemos num dos países mais violentos do mundo e este governo fica chorando os cadáveres insepultos do regime militar. Com todo respeito às famílias dos mortos durante o regime militar, não estou justificando as mortes, mas para dados estatísticos, é um número irrisório. Também é importante contextualizar. Em que situação eles morreram? A maior parte era composta por guerrilheiros que aderiram à luta armada para derrubar o regime. Ora, se eu vou para o enfrentamento armado, eu tenho que saber dos riscos que estou correndo. E lembrando que 119 militares também foram mortos nesses confrontos, mas estes quase nunca são citados na grande mídia.

Desses, quem foram os heróis e quem foram os vilões da História? Acreditamos não haver heróis nem vilões. Primeiro porque aqueles que lutavam pela derrubada da ditadura, não estavam interessados na redemocratização do país, mas na simples troca de uma ditadura de direita, por outra, de esquerda. Pelo lado dos militares, eles estavam apenas no estrito cumprimento do dever. Considerando os resultados históricos, optamos pelos militares. O comunismo seria infinitamente mais injusto, autoritário e prejudicial que o regime militar. O comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas em tempo de paz (o nazismo matou 6 milhões). Economicamente, não vingou em lugar nenhum do mundo. E a redemocratização do país, não coube à esquerda, mas aos próprios militares.

Não queremos com isto santificar um regime que cometeu excessos, mas dar a ele a sua real dimensão histórica.

Na esfera cultural, fala-se muito sobre censura aos meios de comunicação, o que realmente aconteceu. Porém, essa censura se deu mais com relação às críticas ao regime e se limitavam, por exemplo, no caso de filmes, a cortes de trechos censurados, sendo em seguida liberados. O programa "Cassino do Chacrinha"data dessa época, e sabemos do seu teor irreverente. Cantores de esquerda como Chico Buarque e Caetano Veloso faziam sucesso. Circulavam jornais de oposição aberta, como "O Pasquim", do Rio de Janeiro. Já nos países comunistas, a censura, além de política, tem um forte apelo moral, abrangendo desde comportamentos até a liberdade de consciência e crença dos indivíduos. Os meios de comunicação são estatizados e jornalistas opositores podem ser presos e, conforme a gravidade do caso, até condenados à morte. A internet também sofre forte censura. Na China, palavras como "democracia" e "direitos humanos" são bloqueadas nos sites de busca.

A esquerda, movida não pela razão, mas pelo revanchismo histórico, insiste em condenar os militares e santificar guerrilheiros e terroristas, que sequer lutavam pela liberdade e democracia, mas tão somente pela subversão da ordem e implantação de um regime totalitário, como aconteceu em todos os países socialistas do mundo.

Dizia Millôr Fernandes: "Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim." Talvez por isso não condenem Nicolás Maduro ou Fidel Castro. A ditadura é sempre condenável, seja ela de esquerda ou de direita.